Neste dia de hoje, 13 de Maio de 2013, chegamos aos 125 anos desta abolição. Juntamente com o Dia da Consciência Negra, esta é uma das mais importantes datas nas quais se comemora - ou se protesta, com justeza(ou não, como explicarei a seguir) contra as desigualdades e de toda esta problemática do racismo, do preconceito racial e/ou, por conta da cor da pele.
Lutar contra a má condição social do negro, não só dele, como também de qualquer pobre/miserável seja este de qualquer cor q ostente em sua tez é uma virtude que deve sim ser incentivada nas pessoas. Cobrar dos políticos que façam a sua parte e que criem condições para que, por exemplo, a educação gratuita seja realmente de qualidade, que as pessoas tenham moradias dignas, que a segurança seja fomentada(porque, convenhamos, tudo isso sem o mínimo de garantia de voltar vivo e inteiro pra casa pouca coisa adianta), que as pessoas tenham acesso a uma alimentação digna, assim como acesso à cultura, ao conhecimento, e outras coisas é perfeitamente válido, visto que, é importante lembrar, vivem dos nossos impostos, os quais pagamos - e muitos de nós pagam com muito sacrifício. Então, sendo assim, que cumpram suas promessas e façam o que deve ser feito para que estes objetivos sejam alcançados. Este é um ponto.
O problema se reside quando uma determinada ideologia política invade e sequestra uma causa q é, em essência, nobre: É aí que a contaminação político-ideológica começa a se fazer presente e assim, a partir de conceitos e realidades complexos, brotam, que nem chuchu na serra, os bordões, as frases prontas, os conceitos pré-fabricados para as massas. Reparem como tudo é tão mastigadinho e tão feito sob medida para que o maior número de pessoas possível engula esta idéia e passe adiante, como se verdade absoluta fosse. Outra característica de tais "conceitos fast food" é a contumaz carência de embasamento ou um embasamento insuficiente em termos de fontes, dados, etc... O q não é suficiente para impedir que tais idéias se alastrem com força. A verdade é que o Brasil não é exatamente um país aonde a leitura é estimulada. O analfabetismo - real e funcional - é uma praga que assola a grande maioria da população. Pior: Ao lado disso, ainda existe a acomodação, tão característica de muitos, que aceitam de bom grado estas mesmas idéias ideologicamente contaminadas, desde que elas lhes favoreçam, e assim, fica mais ainda difícil o exercício salutar de questionamento sobre a real validade destes mesmos "conceitos fast food" que chegam aos próprios olhos e ouvidos, empobrecendo o debate, minando o livre-pensar e, no final, se conduz à ditadura da idéia e do pensamento único - com "direito", até mesmo, à perseguição e desqualificação dos seus opositores.
E é exatamente isso que ocorre no que tange, dentre muitas outras causas, ao movimento negro como um todo. Salvem-se honrosas exceções, é assim que se procede: Uma ideologia(notadamente a esquerdista - embora o próprio Marx tenha sido um racista empedernido, como alguns autores do chamado "afrocentrismo" admitem) sequestra uma causa justa(o fim da exclusão social e do preconceito racial/por cor da pele), coloca, a partir de problemas reais, suas idéias pré-fabricadas de "fácil digestão" e suas próprias interpretações para as massas - quase sempre fruto de mistificação e mesmo de uma visão distorcida destes mesmos problemas reais(tais como "o branco é o opressor do negro", "mulato vem de mula", "a mestiçagem se deu pelo estupro", "o racismo está em tudo", "não existe convivência pacífica entre brancos e negros no Brasil", e outras tantas), tudo isso embalado com boas doses de vitimismo, coitadismo, e outros sentimentos inferiorizantes que são inoculados nas mentes de muitos, que, sem análise, leituras e questionamentos, acabam absorvendo tais idéias, sendo que, além de tudo mais, lhes auferem vantagens, tais como cotas e outros privilégios sobre os demais.
Uma consequência destes conceitos(que chama a atenção justamente pela coleção de distorções que ostenta), dentre muitas outras, é a negação da miscigenação, quase sempre com apelos, no mínimo, duvidosos, isso quando não partem para a desonestidade pura e simples: A partir da idéia primaz, advinda, conceitualmente, da luta de classes marxista, que preconiza que "o branco é a raça opressora e o negro, a oprimida", se desenrola um festival de idéias tão reducionistas quanto absurdas: "A mestiçagem vem, prioritariamente, do estupro", "assumir-se mestiço é querer ser branco", chegando a extremos como: "Mestiçagem é política de branqueamento", etc. Com isso, pessoas obviamente mestiças(sejam elas pessoas de pele mais escura com traços claramente "europeus" e pessoas de pele clara, embora com alguns traços "negróides", dentre tantos outros "tipos" humanos neste rico cadinho mestiço q é a nossa população) são conclamadas - ou melhor, intimadas ou mesmo pressionadas - a assumirem-se "negras", como se obrigação para isso tivessem. Usando de argumentos mais frágeis do que casca de ovo, mas que ganham força devido à pressão pela "negritude", dentre outros motivos que mencionei antes(tais como pouco hábito de leitura, pesquisa e mesmo de questionamento da população brasileira), o movimento negro fomenta, com sapatinho de veludo, a luta de raças em seu mais alto grau. Querem negar a mistura e a mestiçagem "no tapetão". Igualzinho, vejam vocês, à sociedade racista norte-americana anterior à aquisição dos direitos civis dos negros norte-americanos! E usando exatamente a mesma "técnica" de "racialização": A "one drop rule", que preconizava que mesmo um cidadão branco, loiríssimo de olhos azuis seria considerado negro se tivesse, ao menos, um acestral negro. Antigamente, o intuito era de inferiorizar outrem. Atualmente, utilizam esta mesma "regrinha", só que como "régua" para medir os mestiços como negros, tudo embalado de boas intenções. Mas como pode um movimento que tem por base a luta contra o racismo se igualar justamente a uma sociedade racista, inclusive se utilizando dos mesmos métodos? Um questionamento advindo disso é: Será "igualdade" o que eles querem mesmo? Ou isso não seria simplesmente o desejo de poder da ideologia e de seus representantes maiores, que usam as massas como manobra para atingir tal fim? A resposta está aí, à vista de todos: Um partido está no poder e fomentando o ódio entre as pessoas. "Sério mesmo"? Alguém pode se perguntar. "Sim"! É a resposta. E provas não faltam: As políticas "dividir para dominar" estão aí, pra quem quiser ver. Inclusive as tais cotas e outras "políticas públicas", engedradas pelos "poderosos" têm, no final das contas, o mesmo objetivo: Criar clientela eleitoral - isto é, um curral eleitoral, que lhe garanta votos em sussessivas eleições e a divisão da sociedade em categorias, que reproduz, mesmo que não de forma total e plenamente literal, a luta de classes, o que traz uma idéia tão antiga qto eficaz para a chegada ao poder, que vem desde a antiguidade: Dividir para dominar, e aqui, de um jeito que nem Roma faria.
Reparem bem neste cartaz, do dia da consciência negra. Ele fala de fatos: A escravidão e suas agruras e o preconceito racial. O problema, porém, não é a apresentação dos fatos em si. O problema é como são apresentados e para que propósitos eles são apresentados: No intuito - oculto ou declarado - de colocar a mestiçagem não apenas como indício insuficiente de uma certa convivência entre brancos e negros(e índios também), como também a colocam como um mal, visto que teria sido fruto unicamente de opressão - esperando-se, como produto final, que as pessoas neguem-se mestiças e sejam conclamadas(e psicologicamente pressionadas) à auto-declaração negra, seja esta com que finalidade for - a finalidade política é a mais desejada, visto que assim, o apoio à causa(ou melhor, à ideologia disfarçada de causa) é ainda maior. Aqui, importa que o mestiço seja "negro" de qualquer jeito, mesmo que seja na base da manipulação, da mentira e da empulhação. Mas para quê tirar de qualquer maneira um traço da nossa nação brasileira nem que seja "no papel"? Para que fazer de mestiços, negros? Com que fim? Por que negar a mestiçagem do nosso povo? Porque mestiçagem é um traço de união. E união é a última coisa que "nossos" poderosos e outros querem: Uma sociedade unida, independente de ser negro, branco, índio, mulato, caboclo, cafuzo, mestiço, etc, assim como uma sociedade educada e bem pensante, fica difícil de manipular e vender suas idéias como as melhores, pois assim, tal sociedade se organiza melhor pra questionar seus desmandos, ingerências e incompetências (tais como mensalões, aloprados, corrupções, "manteúdas" com dinheiro público, negociatas, contravenções mil, apoio a ditaduras cruéis e sanguinárias, leis que beneficiam a si próprios, aumentos escandalosos nos próprios salários, políticas econômicas que estão levando o Brasil a passos largos para o caos econômico, assistencialismo barato e hipócrita que deixa o povo eternamente na miséria, dependendo de migalhas e eternamente agradecido ao "salvador-mor-da-pátria", o fiasco da (in)segurança pública e seus números de guerra civil, a educação pública, que está combalida, a saúde q está na "UTI" do descaso e tantas outras). E já que não interessa ao governo que a sociedade se una, então, melhor negócio é fomentar o ódio, incentivar a discórdia e encorajar a separação, incentivando a separação racial, social, dentre outras, pois um povo dividido e com uma educação insuficiente é fácil de iludir, enganar e ludibriar. "Eles" sabem muito bem o poder que o povo tem quando se une, eles temem o povo unido, então provocar a divisão é o caminho que escolhem - e foi exatamente isto que a esquerda fez em toda a sua história, com as consequências funestas conhecidas. Toda essa política de "bondades com as minorias" tem como propósito primordial, senão único: Poder e mais poder para os interessados, nem que, por conta disto, se utilizem de todo o tipo de engodo para que, por exemplo, negros e mestiços achem que os brancos são os seus inimigos mortais e se voltem contra eles, ao invés de se unirem todos em prol da democracia e da liberdade, bens caros a todo e qualquer ser humano.
Lutar pelo fim do preconceito e da discriminação vai muito além de chavões, frases prontas, idéias e conceitos distorcidos sobre o que é discriminação e reparação de injustiças: É a consciência da existência de seres humanos como indivíduos e dos direitos fundamentais que os seres humanos têm. Feito isto, fica muito mais fácil lutar contra o racismo, sem se utilizar dos meios condenáveis de que se utilizam as ideologias que fomentam o ódio e esperam, no final, lucrar com isso, chegando ao poder - e com ele, fazer o que bem quiser para se perpetuar nele. Como os fins não justificam os meios, lutar por uma causa justa também exige honestidade, isenção, honra e tantas outras qualidades para que seja legítima e, sobretudo, eficaz.

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