Olhem a foto abaixo. Observem-na bem. O que vocês vêem?
Esta foto causou bastante polêmica: Muitos se indagaram do motivo para a existência de "pouquíssimas negras" em um concurso em um estado que seria "maioria negra". Pouco se deu espaço para se questionar do porquê da celeuma a respeito de tal afirmação, bem como da premissa que existe por trás dela: De que a Bahia seria um estado "negro", praticamente uma África Brasileira. Mas, será mesmo? Daí, me deparei com este mesmo discurso e quis escrever sobre ele, bem como sobre o Miss Bahia neste contexto "político-racial" Contudo, achei prudente esperar pelo resultado final, bem como as reações a respeito, para só então descrever e opinar sobre o cenário como um todo.Durante
o Miss Bahia, não faltou quem gritasse "RACISMO!" porque só tinha "duas
negras" classificadas para a final deste concurso de beleza. Agora que vi
quem é a vencedora, bem como após analisar racionalmente todo o ocorrido neste concurso deste a "polêmica" foto até o resultado final, as coisas ficaram mais claras para mim: Existe um
certo "folclore" a respeito da Bahia. acham que "a Bahia é a terra da
negritude"(e não faltam colaboradores com tal imagem que se faz do nosso
estado, seja este com fins turísticos, políticos, etc), sendo que Bahia não é só Salvador. A Bahia é um estado enorme, com cerca de 415
municípios e uma população estimada de 14.000.000(14 milhões) de
pessoas. Se pararmos pra pensar, a tal da "negritude baiana" cantada e
decantada em verso e prosa é basicamente situada em partes do litoral,
Salvador e Recôncavo Baiano. No interior, a população é majoritariamente clara,
com grande quantidade de brancos - os famosos "galegos" do sertão - e
mesmo uma importante influência indígena, e o concurso de miss, longe de
ser "racismo", mostrou, de forma até crua, que Bahia não é só negritude, e
constatou o que é verdadeiramente a Bahia: A Bahia mestiça e
majoritariamente de pele clara(mestiços mais claros e.... brancos). Causa espécie(mas, ao mesmo tempo não surpreende nenhum pouco) que ver este mito da "Bahia negra" ser quebrado desta forma, revelando uma Bahia que mesmo poucos brasileiros conhecem(já que ainda têm aquela imagem da "Bahia Afro" massiçamente divulgada não só no próprio País, como também no exterior) deixou tantos tão furiosos: A quebra de um mito assim, em rede nacional, não deve ter agradado aos advogados da negritude absoluta, muito menos àqueles que querem porque querem que a Bahia e todo o Brasil seja reconhecido como sendo um país tão negro quanto a África, já que o não reconhecimento de tal premissa faz com que o trabalho de "catequização" para a "causa" dos privilégios aos negros e seus descendentes por cor da pele seria mais difícil.
Esta
"cultura" que está se criando, a do enegrecimento artificial e "por decreto" e que coloca toda e qualquer ação como
"racista" simplesmente por ser contrária a interesses destes ou daqueles
vai marcar os afrodescendentes como "os eternos coitadinhos que sempre
precisam de ajuda", e aí, sempre que um afrodescendente/negro ganhar
alguma competição similar - e de outros tipos também - aquele estigma(sim,
estigma, esta é a palavra!) de suspeita de favorecimento por conta da
cor da pele, cairá, com muita frequencia, sobre este. E, longe de isso ser uma "honra", será uma grande vergonha, porque demonstra - erroneamente - que o afrodescendente não consegue algo na vida que não seja por ajuda dos outros, o que preconiza - erroneamente, repito - que os negros e seus descendentes seriam incapazes de crescerem na vida sozinhos! Isto não é nada bom, nem agradável... Mas não faltam os que compram o discurso do favorecimento racial e o colocam num pedestal - inclusive como uma verdade inquestionável que não pode ser sequer posta em dúvida ou à prova. E é por isso que não
aceito "ajudas"(como cotas, por exemplo) por cor da pele: Porque eu não quero ser
"ajudada" por ser descendente de negros, eu quero vencer pela minha
capacidade, pelo meu esforço e quero ser reconhecida pelo que eu sou capaz
de fazer, pelos meus talentos!
E, sobre o concurso em si e suas implicações "raciais" e "étnicas", as quais tanto contribuíram para causar esta celeuma, por favor, é preciso
entender: Isso aqui não é Miss Moçambique, Angola, Guiné Bissau, Burkina Fasso, Benin, etc... Isso aqui é Miss Bahia, a terra da mistura e da variedade de "fenótipos" humanos. Bahia
não é África assim como EUA não é a Inglaterra e o México não é a
Espanha.
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